Conheceu aquela menina pela internet. Nunca achou que poderia se apaixonar assim. Trocaram telefones, se falaram por meses a fio, até que um dia quiseram se encontrar.
Chegado o momento, lá estava ele, sentado, aguardando. Quando olhou aquele sorriso, reconheceu imediatamente aquela mulher, mesmo sem nunca tê-la visto. Naquele momento ele se apaixonava por ela.
Nunca haviam se visto, mas parecia que se conheciam desde a infância. Ele a ouvia como ninguém. Ela parecia ser a única que lhe entendia. Beijaram-se naquele mesmo dia, sem que tivessem planejado nada. No outro dia eram namorados.
Os anos se passaram, e a paixão cresceu. Quando não se viam pessoalmente, encontravam-se pela rede. E seguiam sua paixão.
Um dia ele tomou coragem. A levou a um show de jazz de um amigo. Tornou aquela noite mais romântica que se podia imaginar. Ali mesmo tirou um anel belíssimo e fez a pergunta que mais esperava fazer, e ouviu a resposta que desejava ouvir. Alguns meses depois casavam-se sob o som do mesmo saxofone.
Ainda hoje vivem juntos, velhinhos, contando aos seus netos como se conheceram, de forma quase providencial, pela extinta rede de computadores chamada internet.
Comédias de uma vida cada vez mais virtual.
dimanche, mai 28, 2006
lundi, mai 22, 2006
Mais Uma Semana
Mais uma semana se passou. Entretanto não foi uma semana qualquer, mas uma que entraria para a história.
Durante todos aqueles dias ele era um dos que se sentava à mesa ao lado de grandes autoridades, frente a um palco composto por mais ou menos 450 pessoas.
Sentia-se recompensado por todo aquele tempo de trabalho, noites de sono perdidas, brigas travadas. Estava feliz, pois sabia que o trabalho dele e de seus colegas finalmente podia ser devidamente apreciado.
A semana passou rapidamente, mas deixou uma marca na sua alma e na de todos que a construíram, e foi um marco divisor de águas.
Como muitas outras, mais esta semana se passou, mas deixou uma contribuição indelével no ânimo de todos.
Durante todos aqueles dias ele era um dos que se sentava à mesa ao lado de grandes autoridades, frente a um palco composto por mais ou menos 450 pessoas.
Sentia-se recompensado por todo aquele tempo de trabalho, noites de sono perdidas, brigas travadas. Estava feliz, pois sabia que o trabalho dele e de seus colegas finalmente podia ser devidamente apreciado.
A semana passou rapidamente, mas deixou uma marca na sua alma e na de todos que a construíram, e foi um marco divisor de águas.
Como muitas outras, mais esta semana se passou, mas deixou uma contribuição indelével no ânimo de todos.
dimanche, mai 14, 2006
Sonho Realizado? (ou Crônicas de uma Vida de Policial)
O sonho da vida dele sempre foi ser policial. Via aqueles filmes Hollywoodianos, em que mocinhos sempre venciam os bandidos. Queria que o seu mundo fosse um pouco mais daquele jeito.
Quando atingiu a idade necessária, fez concurso para Soldado da Polícia Militar. Era a chance que ele tanto esperava. Fez a prova e passou com louvor. Naquele momento, atingia sua máxima realização pessoal.
Como um dia sonhara, combatia os criminosos, na tentativa de fazer sua cidade um local melhor de se viver. Cumpria suas missões com garbo e amor.
Certa véspera de dia das mães, estava indo ao shopping comprar um presente. Encontrava-se deveras ansioso para chegar na casa de sua genitora no dia seguinte. Era o seu primeiro dia das mães como policial. Estava quase chegando ao estacionamento do shopping quando foi abordado. Antes que pudesse dizer algo, sentiu algo como um ferro quente queimar-lhe a garganta. Sentiu a mesma coisa em seu estômago, e em seu peito. Eram balas que cravejavam seu frágil corpo. Uma facção criminosa de São Paulo estava comandando atentados terroristas, e ele foi mais vítima.
Jazia naquele carro o corpo de um filho amoroso, enquanto do outro lado sua mãe sentia um aperto no peito, sem saber o motivo.
Comédias de uma vida cada vez mais violenta.
Quando atingiu a idade necessária, fez concurso para Soldado da Polícia Militar. Era a chance que ele tanto esperava. Fez a prova e passou com louvor. Naquele momento, atingia sua máxima realização pessoal.
Como um dia sonhara, combatia os criminosos, na tentativa de fazer sua cidade um local melhor de se viver. Cumpria suas missões com garbo e amor.
Certa véspera de dia das mães, estava indo ao shopping comprar um presente. Encontrava-se deveras ansioso para chegar na casa de sua genitora no dia seguinte. Era o seu primeiro dia das mães como policial. Estava quase chegando ao estacionamento do shopping quando foi abordado. Antes que pudesse dizer algo, sentiu algo como um ferro quente queimar-lhe a garganta. Sentiu a mesma coisa em seu estômago, e em seu peito. Eram balas que cravejavam seu frágil corpo. Uma facção criminosa de São Paulo estava comandando atentados terroristas, e ele foi mais vítima.
Jazia naquele carro o corpo de um filho amoroso, enquanto do outro lado sua mãe sentia um aperto no peito, sem saber o motivo.
Comédias de uma vida cada vez mais violenta.
dimanche, mai 07, 2006
Arrependimento
A água deslizava suavemente pelos seus longos cabelos negros, dispostos de forma displicente sobre aqueles seios fartos e macios. Estava debaixo daquele chuveiro há mais de uma hora. A noite tinha sido muito longa.
Poucas horas antes tinham se encontrado, ela e o seu namorado, num belíssimo restaurante da cidade. Parecia que seria uma noite excelente. Parecia, mas não foi. Ele teve mais um ataque de ciúmes violento. Ela, novamente, passou vergonha na frente de muita gente. Foi a gota d’água. Saiu imediatamente de lá, e deu tudo por acabado.
Pensava se a sua decisão tinha sido a mais correta, enquanto a água escorria pelo seu corpo escultural. Ouviu um barulho vindo da sua sala. “Deve ser aquele maldito gato”, pensou. Pouco tempo depois o ruído ficou mais alto.
Pegou a sua arma, a qual sempre tinha a seu lado, devido sua perigosa profissão, e foi em direção ao barulho. Viu um vulto se mexer em sua sala, e, sem pensar duas vezes, disparou.
Quando se recompôs, reconheceu o corpo estirado no chão, cravejado de balas. Era seu ex-namorado, que ainda tinha a chave da casa dela.
Cambaleante, ela caiu no chão, com as mãos cobrindo o seu rosto molhado pelas lágrimas. Quando olhou para o lado, notou perto do corpo dele um buquê de flores, com um pequeno cartão. Ao abri-lo, tornou a chorar. Tinha apenas 4 palavras, que nunca mais ela iria esquecer: “Te amo. Me perdoa?”
Baesado em um texto de Pedro Salgueiro.
Poucas horas antes tinham se encontrado, ela e o seu namorado, num belíssimo restaurante da cidade. Parecia que seria uma noite excelente. Parecia, mas não foi. Ele teve mais um ataque de ciúmes violento. Ela, novamente, passou vergonha na frente de muita gente. Foi a gota d’água. Saiu imediatamente de lá, e deu tudo por acabado.
Pensava se a sua decisão tinha sido a mais correta, enquanto a água escorria pelo seu corpo escultural. Ouviu um barulho vindo da sua sala. “Deve ser aquele maldito gato”, pensou. Pouco tempo depois o ruído ficou mais alto.
Pegou a sua arma, a qual sempre tinha a seu lado, devido sua perigosa profissão, e foi em direção ao barulho. Viu um vulto se mexer em sua sala, e, sem pensar duas vezes, disparou.
Quando se recompôs, reconheceu o corpo estirado no chão, cravejado de balas. Era seu ex-namorado, que ainda tinha a chave da casa dela.
Cambaleante, ela caiu no chão, com as mãos cobrindo o seu rosto molhado pelas lágrimas. Quando olhou para o lado, notou perto do corpo dele um buquê de flores, com um pequeno cartão. Ao abri-lo, tornou a chorar. Tinha apenas 4 palavras, que nunca mais ela iria esquecer: “Te amo. Me perdoa?”
Baesado em um texto de Pedro Salgueiro.
lundi, mai 01, 2006
Uma Nova Forma de Contar a Vida
Hoje em dia a vida das pessoas está totalmente colocada em seus HD’s. Para saber a personalidade de alguém, basta dar uma pesquisada em seu disco rígido.
O leitor inveterado por certo tem diversos e-books na pasta “Meus Documentos”. Já o cinéfilo tem diversos filmes na sua lista de downloads. O idoso só tem o bom e velho “paciência” instalado. E o adolescente, diversas fotos de garotas em poses mais que sensuais.
Uma coisa, no entanto, todos têm em comum: o desespero ao ter que formatar o computador. Naturalmente nenhum deles se lembra de fazer backup, e acabam perdendo seus livros, filmes e jogos. Acabam sendo acometidos por algo que chamo carinhosamente de síndrome do HD vazio. Após a formatação, apenas sentam a vislumbrar seu disco rígido, sem nada a o preencher, com pouquíssimas pastas aparecendo no “Windows Explorer”, numa cena que chega a ser deprimente. Parecem ter uma parte de suas vidas tomada pelo vilão do vírus de computador. E ficam lá, sem saber o que fazer.
Comédias de uma vida de HD vazio.
O leitor inveterado por certo tem diversos e-books na pasta “Meus Documentos”. Já o cinéfilo tem diversos filmes na sua lista de downloads. O idoso só tem o bom e velho “paciência” instalado. E o adolescente, diversas fotos de garotas em poses mais que sensuais.
Uma coisa, no entanto, todos têm em comum: o desespero ao ter que formatar o computador. Naturalmente nenhum deles se lembra de fazer backup, e acabam perdendo seus livros, filmes e jogos. Acabam sendo acometidos por algo que chamo carinhosamente de síndrome do HD vazio. Após a formatação, apenas sentam a vislumbrar seu disco rígido, sem nada a o preencher, com pouquíssimas pastas aparecendo no “Windows Explorer”, numa cena que chega a ser deprimente. Parecem ter uma parte de suas vidas tomada pelo vilão do vírus de computador. E ficam lá, sem saber o que fazer.
Comédias de uma vida de HD vazio.
dimanche, avril 23, 2006
Estupidez
Ele tinha acabado de se formar em medicina e achava-se de uma raça superior. Um tolo, certamente.
Certo dia bateu-lhe na porta uma senhora de idade, que sofria de asma. Deveria ter perguntado-lhe o que tinha. Deveria, mas não o fez. Na verdade, perguntou àquela pobre madame sobre seu plano de saúde. Ao ver que aquela mulher, que vivia de uma parca aposentadoria, não tinha como pagar pelo seu atendimento, simplesmente fechou a porta na sua cara.
Passaram-se alguns dias, até que outra pessoa lhe visitou. Desta vez não era um paciente, mas alguém do Conselho Regional de Medicina, que portava um documento. Depois de pegar uma cópia e dar sua contrafé, sentou-se e leu. A expressão de seu rosto mudava gradativamente de uma mórbida indiferença para uma vívida preocupação. Aquela senhora que o procurara encontrava-se morta. O marido dela havia relatado toda a história ao CRM e agora o médico que não honrara o juramento de Hipócrates corria o risco de perder a sua licença.
Aquele homem havia descido de seu pedestal e começara a chorar. Percebera a besteira que fizera. Percebera sua negligência tirara uma vida. Percebera vividamente que poderia inclusive ser preso por homicídio doloso. Percebera que sua vida acabara junto com a daquela senhora. Arrependeu-se, mas agora já era tarde demais.
Via seu rosto exibido na televisão por repórteres que não demonstravam nenhum dó. Seus colegas lhe viravam as costas no trabalho. No dia de seu julgamento, ninguém estava lá para torcer por ele. Quando ele foi condenado, ninguém chorou. Quando foi encarcerado, os presos o aguardavam, já conhecendo o caso por inteiro, e desejando o mal daquele homem.
Terminava assim, naquela cela de prisão, uma vida promissora, jogada fora por um acesso de boçalidade só comparado à sua tremenda estupidez.
Certo dia bateu-lhe na porta uma senhora de idade, que sofria de asma. Deveria ter perguntado-lhe o que tinha. Deveria, mas não o fez. Na verdade, perguntou àquela pobre madame sobre seu plano de saúde. Ao ver que aquela mulher, que vivia de uma parca aposentadoria, não tinha como pagar pelo seu atendimento, simplesmente fechou a porta na sua cara.
Passaram-se alguns dias, até que outra pessoa lhe visitou. Desta vez não era um paciente, mas alguém do Conselho Regional de Medicina, que portava um documento. Depois de pegar uma cópia e dar sua contrafé, sentou-se e leu. A expressão de seu rosto mudava gradativamente de uma mórbida indiferença para uma vívida preocupação. Aquela senhora que o procurara encontrava-se morta. O marido dela havia relatado toda a história ao CRM e agora o médico que não honrara o juramento de Hipócrates corria o risco de perder a sua licença.
Aquele homem havia descido de seu pedestal e começara a chorar. Percebera a besteira que fizera. Percebera sua negligência tirara uma vida. Percebera vividamente que poderia inclusive ser preso por homicídio doloso. Percebera que sua vida acabara junto com a daquela senhora. Arrependeu-se, mas agora já era tarde demais.
Via seu rosto exibido na televisão por repórteres que não demonstravam nenhum dó. Seus colegas lhe viravam as costas no trabalho. No dia de seu julgamento, ninguém estava lá para torcer por ele. Quando ele foi condenado, ninguém chorou. Quando foi encarcerado, os presos o aguardavam, já conhecendo o caso por inteiro, e desejando o mal daquele homem.
Terminava assim, naquela cela de prisão, uma vida promissora, jogada fora por um acesso de boçalidade só comparado à sua tremenda estupidez.
dimanche, avril 16, 2006
Vazio
Faltava algo, mas não sabia o que era.
Havia sido criado por sua mãe e seu padrasto como filho único. O seu núcleo familiar parecia estar completo, mas não estava. Faltava alguma coisa, mas não sabia dizer o que era.
Aquele vazio lhe perseguiu até a adolescência. Quando tinha por volta de quinze anos conheceu seus irmãos, filhos de seu pai natural. Aquele contato de poucos minutos com eles pareceu-lhe preencher o vazio que sentira por tantos anos. Aproveitou aqueles poucos momentos como se pudessem suprir uma vida inteira. Não podiam.
Logo se afastaram novamente. Isso o incomodava demais. Mantinham ainda o contato pela internet e pelo telefone, mas isso não era o mesmo. Queria mais. Queria retomar o tempo perdido e ter seus irmãos perto de si. Infelizmente isto seria pedir demais.
Agora, toda vida que começa a aula de Direito de Família, a depressão bate a sua porta e toma seu coração.
Havia sido criado por sua mãe e seu padrasto como filho único. O seu núcleo familiar parecia estar completo, mas não estava. Faltava alguma coisa, mas não sabia dizer o que era.
Aquele vazio lhe perseguiu até a adolescência. Quando tinha por volta de quinze anos conheceu seus irmãos, filhos de seu pai natural. Aquele contato de poucos minutos com eles pareceu-lhe preencher o vazio que sentira por tantos anos. Aproveitou aqueles poucos momentos como se pudessem suprir uma vida inteira. Não podiam.
Logo se afastaram novamente. Isso o incomodava demais. Mantinham ainda o contato pela internet e pelo telefone, mas isso não era o mesmo. Queria mais. Queria retomar o tempo perdido e ter seus irmãos perto de si. Infelizmente isto seria pedir demais.
Agora, toda vida que começa a aula de Direito de Família, a depressão bate a sua porta e toma seu coração.
dimanche, avril 09, 2006
Um Sonho Realizado
Entrava no carro naquele dia mágico. Um sonho antigo se realizava. Todo o caminho até seu destino parecia magicamente iluminado. Nunca reparara tanto na beleza de sua cidade.
Ao chegar, viu que muitos estavam como ele, sozinhos, eufóricos, e até um pouco assustados. Eles também realiaram um sonho que há muito tinham em suas vidas. Quase que instintivamente juntou-se a eles.
Pouco depois foi acompanhado por um que era mais antigo. Foi levado, junto aos seus novos colegas, a um outro local. Lá ouviu que deveria se orgulhar de seu feito. Deveria estar muito feliz por está lá. E realmente estava. Olhava para os lados, via rostos sendo pintados, e esperava que o seu também o fosse. Desejava há muito tempo passar por aquela experiência quase ritaulística. Quando aqueles dedos atingiram seu rosto, com a fria tinta guache, sentiu um calor imenso invadir seu corpo, deixando refletir a sua profunda felicidade. Havia conseguido.
Via ao lado aqueles que o acompanharão por muitos anos. Estava particularmente feliz. Tinha a excelente sensação de missão cumprida. Sabia do seu esforço, e agradecia por tudo ter valido a pena. E como valeu.
Uma singela homenagem aos novatos da Faculdade de Direito da UFC de 2006.
Ao chegar, viu que muitos estavam como ele, sozinhos, eufóricos, e até um pouco assustados. Eles também realiaram um sonho que há muito tinham em suas vidas. Quase que instintivamente juntou-se a eles.
Pouco depois foi acompanhado por um que era mais antigo. Foi levado, junto aos seus novos colegas, a um outro local. Lá ouviu que deveria se orgulhar de seu feito. Deveria estar muito feliz por está lá. E realmente estava. Olhava para os lados, via rostos sendo pintados, e esperava que o seu também o fosse. Desejava há muito tempo passar por aquela experiência quase ritaulística. Quando aqueles dedos atingiram seu rosto, com a fria tinta guache, sentiu um calor imenso invadir seu corpo, deixando refletir a sua profunda felicidade. Havia conseguido.
Via ao lado aqueles que o acompanharão por muitos anos. Estava particularmente feliz. Tinha a excelente sensação de missão cumprida. Sabia do seu esforço, e agradecia por tudo ter valido a pena. E como valeu.
Uma singela homenagem aos novatos da Faculdade de Direito da UFC de 2006.
samedi, avril 01, 2006
A Triste Vida do Limite
Muitos dizem que a poesia pode ser encontrada somente nas belas palavras que compõem um poema ou uma música. Alguns expandem esse conceito de forma a abranger um quadro ou escultura. Poucos são os que se atrevem a dizer o que vou dizer agora. Também há poesia na matemática.
Os matemáticos de mentes limitadas procuram sempre explicar o inexplicável, procurando acabar com a poesia de sua ciência. Tentam “enchatificar” o floco de neve, o enchendo de equações na vã tentativa de explicar aquilo que não está lá para ser explicado, mas sim admirado.
No entanto, debaixo dessa máscara de aborrecimentos criada por cientistas sem criatividade se esconde um universo tão fascinante quanto o das palavras.
O Pi, por exemplo, ao não repetir nenhum de seus números, reflete com imensa maestria a própria alma humana, complicada, irregular, desconcertante, e o faz de forma muito mais eficiente que muitos poemas.
Já o limite, coitado, tenta eternamente ser um número que não ele mesmo, sem nunca conseguir. Sofre eternamente na busca de ser alguém que na verdade não é. O limite, assim como o ser humano, tem inveja, quer ser o outro, esquecendo de si mesmo e de suas qualidades.
O limite mais invejoso é tão arraigado em nossa cultura que nem o percebemos: o próprio número da besta. Antigamente, quando você queria dizer que um número era infinitamente próximo de outro (e essa é a definição de limite) você o repetia três vezes. Assim, quando João disse em Apocalipse que “aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis”, disse na verdade que o número da besta quer ser o número da perfeição divina, o sete, sem nunca obter sucesso na sua empreitada.
Existe ainda a história do romance entre as retas paralelas, que por um infortúnio do destino só poderão se encontrar no infinito. Mesmo com esse gigantesco empecilho para o seu amor, não conseguem se distanciar uma da outra, permanecendo juntas até que finalmente possam se encontrar.
Os números são repletos de poesia, e da mais alta qualidade. Nós é que devemos estar mais atentos.
Comédias de uma vida cada vez mais matemática.
Os matemáticos de mentes limitadas procuram sempre explicar o inexplicável, procurando acabar com a poesia de sua ciência. Tentam “enchatificar” o floco de neve, o enchendo de equações na vã tentativa de explicar aquilo que não está lá para ser explicado, mas sim admirado.
No entanto, debaixo dessa máscara de aborrecimentos criada por cientistas sem criatividade se esconde um universo tão fascinante quanto o das palavras.
O Pi, por exemplo, ao não repetir nenhum de seus números, reflete com imensa maestria a própria alma humana, complicada, irregular, desconcertante, e o faz de forma muito mais eficiente que muitos poemas.
Já o limite, coitado, tenta eternamente ser um número que não ele mesmo, sem nunca conseguir. Sofre eternamente na busca de ser alguém que na verdade não é. O limite, assim como o ser humano, tem inveja, quer ser o outro, esquecendo de si mesmo e de suas qualidades.
O limite mais invejoso é tão arraigado em nossa cultura que nem o percebemos: o próprio número da besta. Antigamente, quando você queria dizer que um número era infinitamente próximo de outro (e essa é a definição de limite) você o repetia três vezes. Assim, quando João disse em Apocalipse que “aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis”, disse na verdade que o número da besta quer ser o número da perfeição divina, o sete, sem nunca obter sucesso na sua empreitada.
Existe ainda a história do romance entre as retas paralelas, que por um infortúnio do destino só poderão se encontrar no infinito. Mesmo com esse gigantesco empecilho para o seu amor, não conseguem se distanciar uma da outra, permanecendo juntas até que finalmente possam se encontrar.
Os números são repletos de poesia, e da mais alta qualidade. Nós é que devemos estar mais atentos.
Comédias de uma vida cada vez mais matemática.
dimanche, mars 26, 2006
O Garoto de Bauru
Um garoto, que era como muitos outros, olhava para o céu naquela bela noite de Bauru. Via as estrelas brilharem no céu e sonhava um dia chegar próximo a elas. Afinal, qual garoto nunca sonhou em ser piloto e astronauta?
Muitos anos depois entrou para a Academia da Força Aérea, formando-se com louvor. Tornou-se um dos melhores pilotos de teste da FAB. Para completar, graduou-se pelo ITA. Já havia atingido muito mais que muitos brasileiros sequer sonhavam.
Mas aquilo não era o suficiente. Não havia esquecido de seu sonho infantil.
Um dia, a chance apareceu. A NASA selecionava pilotos para se tornarem astronautas. E aquele menino de Bauru foi o escolhido.
As adversidades vieram. O programa espacial americano passou por diversos problemas. O sonho mais uma vez se afastava. Mas ele não esmoreceu. Afinal de contas, já tinha chegado tão longe. Não era possível acreditar que iria acabar daquela forma. E não acabou. Os russos começaram a lançar os pilotos extrangeiros na velha Soyuz. E ele pegou a chance, levando com ele todos os brasileiros.
Na madrugada desta quarta-feira ele irá cumprir o sonho de muitos. Um brasileiro poderá alcançar as estrelas.
Uma singela homenagem ao Tenente-Coronel Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro, que entrará para a história no dia 29, às 23h30, levando o verde e amarelo do pavilhão nacional mais alto que qualquer brasileiro já levou, e cumprindo uma parte da canção do aviador que diz "as estrelas de noite subimos, para orar ao cruzeiro do sul" e outra que fala "pois que a pátria nos céus, no altar, sempre erguemos, de ânimo forte". TC Marcos Pontes, que o senhor seja o primeiro de muitos dos brasileiros que vão levantar nossa pátria aos céus e subir às estrelas para orar ao cruzeiro do sul.
Muitos anos depois entrou para a Academia da Força Aérea, formando-se com louvor. Tornou-se um dos melhores pilotos de teste da FAB. Para completar, graduou-se pelo ITA. Já havia atingido muito mais que muitos brasileiros sequer sonhavam.
Mas aquilo não era o suficiente. Não havia esquecido de seu sonho infantil.
Um dia, a chance apareceu. A NASA selecionava pilotos para se tornarem astronautas. E aquele menino de Bauru foi o escolhido.
As adversidades vieram. O programa espacial americano passou por diversos problemas. O sonho mais uma vez se afastava. Mas ele não esmoreceu. Afinal de contas, já tinha chegado tão longe. Não era possível acreditar que iria acabar daquela forma. E não acabou. Os russos começaram a lançar os pilotos extrangeiros na velha Soyuz. E ele pegou a chance, levando com ele todos os brasileiros.
Na madrugada desta quarta-feira ele irá cumprir o sonho de muitos. Um brasileiro poderá alcançar as estrelas.
Uma singela homenagem ao Tenente-Coronel Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro, que entrará para a história no dia 29, às 23h30, levando o verde e amarelo do pavilhão nacional mais alto que qualquer brasileiro já levou, e cumprindo uma parte da canção do aviador que diz "as estrelas de noite subimos, para orar ao cruzeiro do sul" e outra que fala "pois que a pátria nos céus, no altar, sempre erguemos, de ânimo forte". TC Marcos Pontes, que o senhor seja o primeiro de muitos dos brasileiros que vão levantar nossa pátria aos céus e subir às estrelas para orar ao cruzeiro do sul.
mercredi, mars 22, 2006
Uma Nova Vida
Olhava tristemente para aquela caixa. Tudo que ele pode juntar durante vinte e oito anos de empresa estavam dentro dela. Era uma cena quase bucólica, aquele senhor de cabelos brancos admirando sua sala vazia.
Milhares de coisas iam e vinham na sua cabeça. Imaginava o que ia dizer à sua mulher quando chegasse em casa. Como iria olhar nos olhos de seus filhos e dizer que tudo que tinha ganho em tanto tempo de empresa cabia numa simples caixa de papelão? Não sabia o que fazer.
Como poderia ter sido? Como, depois de dedicar toda sua vida àquela firma, iria terminar assim, sem sequer um agradecimento? Não podia aceitar.
Veio de repente o ímpeto de subir à sala de seu chefe, que tinha metade da sua idade, e dizer o quanto aquele moleque era inútil e odiado no escritório. Chegou até a porta, torceu a maçaneta, mas acabou por desistir e perceber que aquilo não iria adiantar de nada.
Voltou-se para a janela de sua sala, que tinha uma bela vista para o mar. Abriu o vidro e sentiu a brisa nos seus cabelos grisalhos mais uma vez. Como sentiria falta daquele lugar. Nunca fizera outra coisa na vida, e os seus 55 anos por certo garantiriam que não fizesse mais algo no futuro.
Via-se perdido diante daquela surpresa que o atingira exatamente no dia do seu aniversário. Tinha vergonha de ir à sua casa e encontrar os amigos, que certamente o esperavam àquela hora.
Ponderava toda a sua vida, e aquela brisa parecia cada vez mais o atrair para uma viagem que não teria volta.
Não sabia o que fazer.
Milhares de coisas iam e vinham na sua cabeça. Imaginava o que ia dizer à sua mulher quando chegasse em casa. Como iria olhar nos olhos de seus filhos e dizer que tudo que tinha ganho em tanto tempo de empresa cabia numa simples caixa de papelão? Não sabia o que fazer.
Como poderia ter sido? Como, depois de dedicar toda sua vida àquela firma, iria terminar assim, sem sequer um agradecimento? Não podia aceitar.
Veio de repente o ímpeto de subir à sala de seu chefe, que tinha metade da sua idade, e dizer o quanto aquele moleque era inútil e odiado no escritório. Chegou até a porta, torceu a maçaneta, mas acabou por desistir e perceber que aquilo não iria adiantar de nada.
Voltou-se para a janela de sua sala, que tinha uma bela vista para o mar. Abriu o vidro e sentiu a brisa nos seus cabelos grisalhos mais uma vez. Como sentiria falta daquele lugar. Nunca fizera outra coisa na vida, e os seus 55 anos por certo garantiriam que não fizesse mais algo no futuro.
Via-se perdido diante daquela surpresa que o atingira exatamente no dia do seu aniversário. Tinha vergonha de ir à sua casa e encontrar os amigos, que certamente o esperavam àquela hora.
Ponderava toda a sua vida, e aquela brisa parecia cada vez mais o atrair para uma viagem que não teria volta.
Não sabia o que fazer.
dimanche, mars 12, 2006
Educação
O cidadão cearense é mau educado por natureza.
As vezes tenho vergonha de agir educadamente em público. As pessoas me olham como se fosse um extraterrestre, com um olhar que só é comparável ao lançado quando me atrevo a ler na frente de desconhecidos.
Tenho o costume dar bom dia, boa tarde e boa noite ao motorista de ônibus e ao trocadorpara todos, desde o mais simples gari ao mais eminente desembargador. Na grande maioria das vezes recebo um olhar penetrante que parece querer me dizer que aquela minha atitude foi extremamente ofensiva. Diante desses olhares, baixo minha cabeça sentindo um pouco de vergonha por ter sido educado. "Que cara idiota, me dando bom dia" deve ser a frase que passa na cabeça de alguns. Ou talvez simplesmente estejam tão acostumados a falta de educação em geral que simplesmente ficam abismados quando alguém os cumprimenta.
Porém, de vez enquando algo nos causa uma boa surpresa. Esses dias andava no ônibus e o motorista me deu boa noite e até desejou um bom fim de semana pra mim. Enchi-me de orgulho e respondi-lhe o cumprimento, desejando um fim desemana igualmente agradável. A atitude daquele homem tão simples mostrou mais uma vez que o estereótipo as vezes está errado. Nunca fiquei tão feliz com o cumprimento de alguém. Quem sabe a nossa população ainda tenha jeito.
Comédias de uma vida cada vez mais educada.
As vezes tenho vergonha de agir educadamente em público. As pessoas me olham como se fosse um extraterrestre, com um olhar que só é comparável ao lançado quando me atrevo a ler na frente de desconhecidos.
Tenho o costume dar bom dia, boa tarde e boa noite ao motorista de ônibus e ao trocadorpara todos, desde o mais simples gari ao mais eminente desembargador. Na grande maioria das vezes recebo um olhar penetrante que parece querer me dizer que aquela minha atitude foi extremamente ofensiva. Diante desses olhares, baixo minha cabeça sentindo um pouco de vergonha por ter sido educado. "Que cara idiota, me dando bom dia" deve ser a frase que passa na cabeça de alguns. Ou talvez simplesmente estejam tão acostumados a falta de educação em geral que simplesmente ficam abismados quando alguém os cumprimenta.
Porém, de vez enquando algo nos causa uma boa surpresa. Esses dias andava no ônibus e o motorista me deu boa noite e até desejou um bom fim de semana pra mim. Enchi-me de orgulho e respondi-lhe o cumprimento, desejando um fim desemana igualmente agradável. A atitude daquele homem tão simples mostrou mais uma vez que o estereótipo as vezes está errado. Nunca fiquei tão feliz com o cumprimento de alguém. Quem sabe a nossa população ainda tenha jeito.
Comédias de uma vida cada vez mais educada.
lundi, mars 06, 2006
Mulheres
Apenas um dia para elas não é justo!
De que seria o mundo sem as mulheres? Como seria o mundo sem a alegria da mulher, sem seu bom gosto, sem sua beleza, sem sua graça, sem sua maestria, sem sua inteligência? Com certeza, mes amie, seria um mundo estéril, que não valeria a pena habitar.
Elas são o sol, são o luar, são o chão sob nossos pés. São tudo, afinal.
Nascemos de uma, a outra entregamos nosso coração. Por elas vivemos e morremos. De que seriam os homens se não fossem elas, as mulheres?
Uma singela homenagem deste humilde escritor as mulheres, que, embora tenham o sua data comemorada no próximo dia 8, merecem nossas homenagens de sol a sol.
De que seria o mundo sem as mulheres? Como seria o mundo sem a alegria da mulher, sem seu bom gosto, sem sua beleza, sem sua graça, sem sua maestria, sem sua inteligência? Com certeza, mes amie, seria um mundo estéril, que não valeria a pena habitar.
Elas são o sol, são o luar, são o chão sob nossos pés. São tudo, afinal.
Nascemos de uma, a outra entregamos nosso coração. Por elas vivemos e morremos. De que seriam os homens se não fossem elas, as mulheres?
Uma singela homenagem deste humilde escritor as mulheres, que, embora tenham o sua data comemorada no próximo dia 8, merecem nossas homenagens de sol a sol.
vendredi, février 24, 2006
Uma pequena surpresa
Incrível como algumas coisas nos surpreendem.
Hoje, depois de mais um dia árduo de trabalho, voltava pra casa quando me deparo com uma cena ao mesmo tempo simples e supreendente. Sentada no ônibus estava uma menina pequena, com a farda do colégio, e, na mão, um livro que explicava em termos bastante simples o Estatuto da Criança e do Adloscente.
Aquilo me encheu subitamente de uma surpresa só igualável a minha alegria em presenciar aquilo. Uma criancinha que, por certo, recebera aquele livro no colégio, e se deleitava ao ler e aprender seus direito. Esata ela, alí, tão singela, fazendo, a seu modo, uma revolução. Uma revolução contra a ignorância, contra a cultura de que aquele que lê deve ser relegado ao ostracismo. Uma revolução contra aqueles que acham que conhecer seus direitos é coisa de CDF. Uma revolução.
Surpreendeu-me algo mais, que não esperava. Supreendeu-me a minha própria surpresa. Claro. Porque haveria eu de estar surpreso com alguém que lê, que procura conhecer seus direitos, em tão tenra idade. Surpeendi-me por ser isto algo tão incomum, mas o fato é que não deveria me surpreender. A verdade é que aquilo não deveria ser a exceção, mas a regra. E isso só me fez perceber o quanto aquela menininha, em sua revolução pessoal, era imensamente mais corajosa que eu mesmo. Ela ousava, como um dia ousei, e ainda hoje me atrevo a ousar, lêr e conhecer seus direitos. Leva ainda uma vantagem: começar a sua revolução em tão tenra idade.
Ao ver esse tipo de coisa, sinto meu ânimo renovado. O Brasil ainda tem esperança.
Comédias de uma vida renovada de esperanças.
Hoje, depois de mais um dia árduo de trabalho, voltava pra casa quando me deparo com uma cena ao mesmo tempo simples e supreendente. Sentada no ônibus estava uma menina pequena, com a farda do colégio, e, na mão, um livro que explicava em termos bastante simples o Estatuto da Criança e do Adloscente.
Aquilo me encheu subitamente de uma surpresa só igualável a minha alegria em presenciar aquilo. Uma criancinha que, por certo, recebera aquele livro no colégio, e se deleitava ao ler e aprender seus direito. Esata ela, alí, tão singela, fazendo, a seu modo, uma revolução. Uma revolução contra a ignorância, contra a cultura de que aquele que lê deve ser relegado ao ostracismo. Uma revolução contra aqueles que acham que conhecer seus direitos é coisa de CDF. Uma revolução.
Surpreendeu-me algo mais, que não esperava. Supreendeu-me a minha própria surpresa. Claro. Porque haveria eu de estar surpreso com alguém que lê, que procura conhecer seus direitos, em tão tenra idade. Surpeendi-me por ser isto algo tão incomum, mas o fato é que não deveria me surpreender. A verdade é que aquilo não deveria ser a exceção, mas a regra. E isso só me fez perceber o quanto aquela menininha, em sua revolução pessoal, era imensamente mais corajosa que eu mesmo. Ela ousava, como um dia ousei, e ainda hoje me atrevo a ousar, lêr e conhecer seus direitos. Leva ainda uma vantagem: começar a sua revolução em tão tenra idade.
Ao ver esse tipo de coisa, sinto meu ânimo renovado. O Brasil ainda tem esperança.
Comédias de uma vida renovada de esperanças.
dimanche, février 19, 2006
Resumo de uma Noite Perfeita
Era uma noite belíssima. Passaram o dia inteiro juntos, enamorados, esperando por aquela hora. Estavam deitados, os dois, olhando para a televisão, quando finalmente ele aparece, diante de uma multidão.
Uma voz extremamente agradável, acompanhada de guitarras que emitiam um som infinitamente belo. Eram os Stones, que tocavam no Brasil. O casal, que não podia assistir pessoalmente, acompanhava de longe. Ela olhava para aquele homem que encantava 2 milhões de pessoas, que agiam como uma só. Ele olhava para ela, que o encantava como ninguém. Sorriam um para o outro, ouvindo aquela música que seus olhos emitiam e se beijavam. Viam Mick Jagger pela TV, que parecia traduzir a felicidade deles em suas músicas.
Ela adormeceu. Ele, que ficou acordado até o fim, acompanhava um show todo especial. Olhava para aquela mulher adormecida em seu colo, e admirava seu rosto de anjo enquanto ouvia as guitarras de Keith Richards. E via o quanto estava profundamente apaixonado por ela, o quanto a amava. Ao fim do show, ela acordou, indo para seu quarto para dormir. Ele, por suas vez, foi ao quarto de hóspedes, pegou um excelente livro (dado por ela) e começou a ler, lembrando-se daquele show, que não sairá de sua mente durante o resto de sua vida.
Comédias de uma vida cada vez mais musical.
Uma voz extremamente agradável, acompanhada de guitarras que emitiam um som infinitamente belo. Eram os Stones, que tocavam no Brasil. O casal, que não podia assistir pessoalmente, acompanhava de longe. Ela olhava para aquele homem que encantava 2 milhões de pessoas, que agiam como uma só. Ele olhava para ela, que o encantava como ninguém. Sorriam um para o outro, ouvindo aquela música que seus olhos emitiam e se beijavam. Viam Mick Jagger pela TV, que parecia traduzir a felicidade deles em suas músicas.
Ela adormeceu. Ele, que ficou acordado até o fim, acompanhava um show todo especial. Olhava para aquela mulher adormecida em seu colo, e admirava seu rosto de anjo enquanto ouvia as guitarras de Keith Richards. E via o quanto estava profundamente apaixonado por ela, o quanto a amava. Ao fim do show, ela acordou, indo para seu quarto para dormir. Ele, por suas vez, foi ao quarto de hóspedes, pegou um excelente livro (dado por ela) e começou a ler, lembrando-se daquele show, que não sairá de sua mente durante o resto de sua vida.
Comédias de uma vida cada vez mais musical.
lundi, février 13, 2006
Desrespeito
Chegamos ao nível do total desrespeito.
Certa manhã, um jornalista de um país conhecido por não ter se envolvido em nenhum conflito no século 20 achou engraçado fazer caricaturas do profeta Maomé. Este jornalista trabalha na mesma empresa que faz algum tempo negou-se a publicar determinado desenho por achar que ofendia a fé cristã. Incongruente, não? tais coisas não entram na minha simples cabeça ocidental. Em resposta muçulmanos em todo o mundo queimam embaixadas.
Enquanto isto, aqui mesmo em Fortaleza, o absurdo continua. Uma chapa que concorre atualmente ao DCE-UFC, talvez inspirada naquele jornalista, achou engraçado fazer chacota da fé cristã. Quando confrontados, se retraem e dizem que aqueles que apontam este erro são de extrema direita. Não se pode mais expressar sua opinião sem passar por uma verdadeira polícia política levada por aqueles que se intitulam "donos da verdade".
Falta respeito pelas opiniões.
Falta respeito pelas religiões.
Falta respeito pelas diferenças.
Falta compreensão entre os diferentes.
Sobra animosidade.
Comédias de uma vida cada vez mais confusa com os "donos da verdade".
Certa manhã, um jornalista de um país conhecido por não ter se envolvido em nenhum conflito no século 20 achou engraçado fazer caricaturas do profeta Maomé. Este jornalista trabalha na mesma empresa que faz algum tempo negou-se a publicar determinado desenho por achar que ofendia a fé cristã. Incongruente, não? tais coisas não entram na minha simples cabeça ocidental. Em resposta muçulmanos em todo o mundo queimam embaixadas.
Enquanto isto, aqui mesmo em Fortaleza, o absurdo continua. Uma chapa que concorre atualmente ao DCE-UFC, talvez inspirada naquele jornalista, achou engraçado fazer chacota da fé cristã. Quando confrontados, se retraem e dizem que aqueles que apontam este erro são de extrema direita. Não se pode mais expressar sua opinião sem passar por uma verdadeira polícia política levada por aqueles que se intitulam "donos da verdade".
Falta respeito pelas opiniões.
Falta respeito pelas religiões.
Falta respeito pelas diferenças.
Falta compreensão entre os diferentes.
Sobra animosidade.
Comédias de uma vida cada vez mais confusa com os "donos da verdade".
dimanche, février 05, 2006
Emprego
Não pode um brasileiro andar pelas ruas sem ser assediado com empregos?
Nós brasileiros passamos meses procurando por trabalho, sem sucesso. Um dia, incrivelmente, a oportunidade bate à porta, e nós aceitamos.
Até aí nada de estranho, se não ocorresse o que nos deixa mais triste: todos aqueles escritórios ou empresas onde nós deixamos nossos curriculos resolvem que querem nos contratar para começar a trabalhar dois dias depois. E nós negamos a todos eles.
Negamos a todos mas não conseguimos parar de imaginar se teria sido melhor a outra opção, se ganhariamos mais dinheiro ou teriamos mais sucesso no outro emprego. O pior é que essa sensação não vai embora com o tempo. Até que nós decidimos ter errado na nossa decisão e saimos do emprego que aceitamos, e passamos mais vários meses atrás de algum lugar para trabalhar...
Comédias de uma vida confusa.
PS: Sei que destoa um pouco do tema do blog mas, por favor, ajudem este escritor clicandor no anúncio logo acima deste post, ok?
Nós brasileiros passamos meses procurando por trabalho, sem sucesso. Um dia, incrivelmente, a oportunidade bate à porta, e nós aceitamos.
Até aí nada de estranho, se não ocorresse o que nos deixa mais triste: todos aqueles escritórios ou empresas onde nós deixamos nossos curriculos resolvem que querem nos contratar para começar a trabalhar dois dias depois. E nós negamos a todos eles.
Negamos a todos mas não conseguimos parar de imaginar se teria sido melhor a outra opção, se ganhariamos mais dinheiro ou teriamos mais sucesso no outro emprego. O pior é que essa sensação não vai embora com o tempo. Até que nós decidimos ter errado na nossa decisão e saimos do emprego que aceitamos, e passamos mais vários meses atrás de algum lugar para trabalhar...
Comédias de uma vida confusa.
PS: Sei que destoa um pouco do tema do blog mas, por favor, ajudem este escritor clicandor no anúncio logo acima deste post, ok?
dimanche, janvier 29, 2006
Tragédia
Tinha passado horas no bar, depois de ter recebido um telefonema trágico.
Uma loura escultural que há muito o vinha observando finalmente tomou coragem e o abordou no balcão:
- Olá. Está sozinho aqui?
Ele, parecendo conter o choro, apenas disse, com uma ríspidez que por certo a garota não merecia:
- Minha esposa, grávida de sete meses, faleceu há poucas horas. Sinceramente não estou a fim de conversar.
Dito isto, apenas levantou e se retirou do local. Embora estivesse completamente bêbado, entrou em seu carro e chegou são e salvo em seu apartamento. No caminho lembrava de cada detalhe do momento em que recebeu a maldita ligação. Procurava esquecer que justamente naquela manhã, dentre tantas outras manhãs, tinha brigado com sua esposa. Se ao menos pudesse dizer que a amava. Se ao menos soubesse o que ia acontecer...
Sua sala estava tão grande, seu quarto tão triste. Sentou-se na cama e colocou-se a observar a janela, tendo sua mente bêbada inundada por pensamentos que preferia não ter. A culpa o consumia. Achava que aquilo tudo tinha ocorrido por causa dele.
Lembrou-se de uma arma que seu tio o havia dado havia muitos anos, e que estava guardada na gaveta do criado-mudo. A pegou. Ela parecia estar carregada. A única coisa que pensava era "Te amo, amor. Te amo tanto".
Uma loura escultural que há muito o vinha observando finalmente tomou coragem e o abordou no balcão:
- Olá. Está sozinho aqui?
Ele, parecendo conter o choro, apenas disse, com uma ríspidez que por certo a garota não merecia:
- Minha esposa, grávida de sete meses, faleceu há poucas horas. Sinceramente não estou a fim de conversar.
Dito isto, apenas levantou e se retirou do local. Embora estivesse completamente bêbado, entrou em seu carro e chegou são e salvo em seu apartamento. No caminho lembrava de cada detalhe do momento em que recebeu a maldita ligação. Procurava esquecer que justamente naquela manhã, dentre tantas outras manhãs, tinha brigado com sua esposa. Se ao menos pudesse dizer que a amava. Se ao menos soubesse o que ia acontecer...
Sua sala estava tão grande, seu quarto tão triste. Sentou-se na cama e colocou-se a observar a janela, tendo sua mente bêbada inundada por pensamentos que preferia não ter. A culpa o consumia. Achava que aquilo tudo tinha ocorrido por causa dele.
Lembrou-se de uma arma que seu tio o havia dado havia muitos anos, e que estava guardada na gaveta do criado-mudo. A pegou. Ela parecia estar carregada. A única coisa que pensava era "Te amo, amor. Te amo tanto".
dimanche, janvier 15, 2006
Pressa
Vivemos num mundo em que 24 horas não são mais suficientes. Temos tanto o que fazer que o dia não é mais o bastante. Já existem até bancos que funcionam 30 horas por dia. Estamos cada vez mais apressados e fazemos cada vez menos do que costumávamos fazer.
Foi-se o tempo em que conhecíamos todos os vizinhos. Hoje, se algum deles nos pára, dizemos logo “falo com você mais tarde, porque estou atrasado”. Não podemos perder um segundo sequer para dedicar a alguém, mesmo que isso signifique a diferença entre fazer com que o outro se sinta amado ou que o mesmo se coloque diante de uma janela imaginando se alguém se importa.
Foi-se o tempo em que admirar o pôr-do-sol não era perca de tempo. Hoje os casais, no auge de sua pressa, se comunicam apenas por telefone, se casam e apressadamente se separam, sem nunca ter gasto tempo admirando o fim da tarde juntos.
Foi-se o tempo... e o tempo se foi. Passamos pela vida sempre apressados, na ânsia de ter algo melhor, e esquecemos do mais importante: viver.
Comédias de uma vida apressada.
Foi-se o tempo em que conhecíamos todos os vizinhos. Hoje, se algum deles nos pára, dizemos logo “falo com você mais tarde, porque estou atrasado”. Não podemos perder um segundo sequer para dedicar a alguém, mesmo que isso signifique a diferença entre fazer com que o outro se sinta amado ou que o mesmo se coloque diante de uma janela imaginando se alguém se importa.
Foi-se o tempo em que admirar o pôr-do-sol não era perca de tempo. Hoje os casais, no auge de sua pressa, se comunicam apenas por telefone, se casam e apressadamente se separam, sem nunca ter gasto tempo admirando o fim da tarde juntos.
Foi-se o tempo... e o tempo se foi. Passamos pela vida sempre apressados, na ânsia de ter algo melhor, e esquecemos do mais importante: viver.
Comédias de uma vida apressada.
vendredi, janvier 13, 2006
Animais (I)racionais
O ser humano tem muito a aprender com os animais.
O que vale a pena mesmo num relacionamento é o respeito, o amor mútuo e a qualidade do tempo gasto um com o outro.
O bicho homem ainda tem muito a aprender com o ser albatroz.
Os albatrozes vivem com os mesmos parceiros durante toda sua vida, celebrando um casamento de dar inveja à qualquer ser humano.
O sr. e a sra. Albatroz se vêem apenas oito dias por ano, mas se dedicam um ao outro 24 horas por dia. O sr. e sra. Humano se vêem 365 dias por ano, mas, ao somar as horas que dispensam ao parceiro, não somam oito dias.
O sr. Albatroz ajuda a sra. Albatroz, pois não é machista, e reveza o trabalho de chocar os ovos. O sr. Humano chega em casa, senta no sofá, abre uma cerveja e espera que a sra. Humano o trate como um rei.
A família Albatroz não separa seu vínculo mesmo estando em pontos diametralmente opostos do globo. A família Humano encontra-se por vezes na mesma cidade, mas a distância afetiva entre eles extende-se do Sol a Plutão.
O sr. e a sra. Humano não são tolerantes um com o outro. Seus egos por vezes se degladiam ferozmente. O sr. e a sra. Alabatroz se importam apenas com o bem estar do parceiro, deixando as invejas de lado.
O sr. Alabatroz não se importa quando a sra. Albatroz trás mais alimento do que ele ao ninho. O sr. Humano sim.
Comédias da vida de um homem que procura cada vez mais se aproximar do albatroz.
O que vale a pena mesmo num relacionamento é o respeito, o amor mútuo e a qualidade do tempo gasto um com o outro.
O bicho homem ainda tem muito a aprender com o ser albatroz.
Os albatrozes vivem com os mesmos parceiros durante toda sua vida, celebrando um casamento de dar inveja à qualquer ser humano.
O sr. e a sra. Albatroz se vêem apenas oito dias por ano, mas se dedicam um ao outro 24 horas por dia. O sr. e sra. Humano se vêem 365 dias por ano, mas, ao somar as horas que dispensam ao parceiro, não somam oito dias.
O sr. Albatroz ajuda a sra. Albatroz, pois não é machista, e reveza o trabalho de chocar os ovos. O sr. Humano chega em casa, senta no sofá, abre uma cerveja e espera que a sra. Humano o trate como um rei.
A família Albatroz não separa seu vínculo mesmo estando em pontos diametralmente opostos do globo. A família Humano encontra-se por vezes na mesma cidade, mas a distância afetiva entre eles extende-se do Sol a Plutão.
O sr. e a sra. Humano não são tolerantes um com o outro. Seus egos por vezes se degladiam ferozmente. O sr. e a sra. Alabatroz se importam apenas com o bem estar do parceiro, deixando as invejas de lado.
O sr. Alabatroz não se importa quando a sra. Albatroz trás mais alimento do que ele ao ninho. O sr. Humano sim.
Comédias da vida de um homem que procura cada vez mais se aproximar do albatroz.
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